Just a perfect day

Azul. Silêncio. Comprei bolachas recheadas de jazz e sentimental mood. Duke and Coltrane fazem a agulha do meu toca-discos gemer, como quem goza e depois chora. Dor ou prazer? Diferença faz alguma, Mestre Yoda. No fundo, estamos sempre abarrotados de motivos pra sorrir e lamentar em domingos perfeitos. Irritantemente exatos, ensolarados e descompromissados. Sem pressa. Morte lenta. Fim do Lado B. Gosto de ouvir por alguns instantes o ruído repetitivo dos finais dos discos de vinil. Sádica mania. Ben Webster e seu sax tenor chorão. Blue Note Rules. Ainda tenho esperança de ouvir o telefone tocar com alguma notícia triste. Ou quem sabe um trabalho urgente, sem prazo, pra amanhã. Preciso desligar. Tô com um pouco de pressa. Preciso acabar com este domingo de uma vez. Quem sabe assistir ao pôr do sol na praça tomando chimarrão e ouvindo aquele violãozinho legião-urbânico dos meninos. Quem sabe um cinema mais tarde? Uma pizza, meia marguerita, meia boca? Três DVDs da seção lançamento. Devolução em 24h. Até lá o domingo já era. Quiçá são e salvo.

3 Respostas para “Just a perfect day”

  1. Viajei nas ondas dessa cantoria. Meu domingo estava na mesma frequência.

  2. Um amigo meu me passou seu blog… coincidência… bom ler seus textos de novo. beijo, carol freire

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