- Pô, tá foda de sair desse buraco.
-Então entra nele.
- Pô, tá foda de sair desse buraco.
-Então entra nele.
Ninguém ri por último.
A esperança ignora as estatísticas e nos transporta a lugares incríveis. Países remotos. Onde não precisamo mais trabalhar. Inventamos profissões exóticas. Prometemos continuarmos cidadãos simples e honestos. Quiçá nem parar de trabalhar. Seguir a rotina. Ra ra ra. Dividir com quem? Família, no máximo. Pega mal não ajudar parente. Passa a régua. A noite, antes de dormir, a esperança nos conta histórias de um mundo feito de aço e purpurina. Vitrola tocando Glam rock. E pegamos no sono felizes. E tudo isso por apenas R$ 1,75. Quase nada.
“O firme penetra ao centro do que é correto e sua vontade se cumpre.” – será que estão servindo comida chinesa em casas de swing agora? Vou ligar pra minha irmã e perguntar.
Por via da dúvidas, tô passando numa casa lotérica agora. Vai que.
35 – 57 – 21 – 25 -39 – 48
Não existe palavra tão solitária quanto só. Só duas letras, ou só três caso não ache o botão do acento. Aí fica soh. Aproveito a audiência para perguntar se alguém aí sabe o significado dessa palavra? Nunca experimentei. Dizem que estar só é tão pouquinho, mas tão pouquinho que você olha e se pergunta: só isso? Tenho muito medo de ser ou estar só, como se tem medo de desastres aéreos sem nunca ter participado de um. As músicas que falam da solidão de ser só são as mais tristes. Eu quase me sinto sozinho quando escuto Trocando em miúdos do Chico. Quer dizer, do Chico e do Francis Hime. Não deve ser possível falar da solidão estando só. Talvez seja preciso juntar várias solidões para descrever a palavra só. Digo talvez pois, na verdade, estou chutando. Não entendo. Ela ficou com o resto. Ele só com um disco do Pixinguinha. Ou só, com um disco do Pixinguinha. E quando começo finalmente a entender, STOP, FFW, NEXT TRACK. Deixa pra amanhã. Amanhã talvez eu morra e fique sozinho, enterrado. Digo talvez pois, na verdade, estou chutando. Não entendo.
Duas e vinte e cinco. O preço a ser pago. Caro preço. A madrugada é minha mulher. Vagabunda. No mesmo bar, no mesmo bar. Altos decibéis, teores alcoólicos idem. Etílicos croquetes de carne com aipo. Dry martini. Mais um, mais um, mais um, o último, a saideira. A conta. Caro preço. Falido. No fundo do poço há sempre um último copo d’água. A saideira, por favor.
No início era apenas um Aiwa farseta. Bandeja com capacidade para 3 CDs, controle remoto, luzinhas e um som de merda. Depois veio o Gradiente old school velho do meu velho pai. Revolução. Começo a tomar gosto pela coisa toda. Achei que tivesse atingido o nirvana com meu Hi Fi Valve Tech handmade by Carlos Alberto Sossego. Mera ilusão. Um dia desses fiz a besteira de assistir a um concerto na Sala São Paulo. Nada será como antes.
Dica: para ficar com ainda mais raiva do seu atual aparelho de som, compre ingressos para o coro, atrás da orquestra, de frente para o maestro. Além do lugar ser melhor, é mais barato.
É a inveja em que você não deseja a morte da pessoa. Apenas que ela fique tetraplégica.
É Natal. Quer dizer, quase. Hoje, 24 de dezembro, vamos cantar parabéns. Todos. Católicos, judeus, evangélicos e macumbeiros de todo o Brasil. O aniversário é de Jesus, mas quem ganha o presente é você. É Natal. Tempo de disparar mensagens pré-fabricadas para toda a agenda do celular. Tempo de dar e receber presentes aleatórios comprados na última hora. Ho, ho, ho. Viva o velhinho gordo, branco, barbudo, de cara rosada, fritando no seu modelito de veludo vermelho. Boshit. Feriado católico por feriado católico, sou mais Finados. Pelo menos, o morto em questão a gente um dia conheceu pessoalmente.
esteves, olha direito – naquele canto estreito.
tem sempre uma dose a mais – um ultimo trago
qualquer líquido amargo, pra alvejar a alma.
por mais que se consuma tanto, metade ofereço pro santo.
metade guardo comigo, para este meu amigo
que escrevo agora.
um beijo com bafo de cachaça. feliz amores novos, mesmo que sejam usados. desses que tem saido bastante.
O amor não acabou. Acabou foi a dor. Consciente vazio. Sobrou a mágoa diluída. Solução saturada sem corpo de fundo. Amor aguado, magoado. Desses que está na moda. Tem saído bastante.
Uma mistura de Alanis Morriseti com Doutor Silvana. Muita performance pra pouco rock’n roll. Na minha época a gente chamava esse povo de poser. Hoje é raipado gostar desse tipo de banda. Se tivesse pelo menos pagado um peitinho, mas nem isso. O que valeu mesmo foi o show da Bjork. Puta visual diferente e som idem. Tudo bem que parecia abertura de Olimpíada com aquele pessoal todo tocando trombone cheio de bandeirinhas penduradas na cabeça. Mas pelo menos o foco era a música, e não o alongamento da vocalista.
Escolha um bem caro. Não tem erro.
Eu tenho um amigo chato. Mas se ele não fosse chato, não teria a menor graça.
Parece que os judeus não foram os únicos perseguidos na Alemanha. Fico imaginando em que continente fica atualmente o Estado dos Ditongos. Pra onde teriam fugido aqueles milhares de as, es, is, os e us? África, talvez.