Arquivo para julho, 2008

Pede a ela

Posted in Música on julho 30, 2008 by andregodoi

Roberto Carlos e Tim Maia. Gravação histórica. Ouvi pela primeira vez em uma fita cassete gravada pelo Seu Cássio. Ouvia sempre antes de dormir. Gostava de brincar de entender as letras. Lado A: Roberto Carlos / Tim Maia. Lado B: Seleção Romântica para Ivonete. Sempre achei que Pede a ela falasse sobre uma dor de cotovelo básica. Dessas que tem saído mais que dor de cabeça e dor de barriga. Pensei que fosse a singela história do pentelho que ligou um milhão de vezes pra ex-mulher e a biscate mandava dizer que não estava. Aliás, parênteses (todo celular deveria vir com bafômetro instalado. Acusou bafo de cachaça, cai o sistema. Desliga geral e ainda manda um sms pedindo desculpa pelo incômodo.) Bom, mas isso também não vem ao caso. Dia desses eu ouvi a música supracitada na estação do metrô e resolvi brincar de entender a letra. Entendi de outro jeito. Pede a ela. Definitivamente não é só uma música sobre amores concordatários. É, principalmente, sobre o personagem que não aparece na letra. O título já entrega. Imperativo. Sujeito oculto. Pede (você = amigo) a ela. Pede a ela é, acima de tudo, uma letra sobre amizades incondicionais. Sobre aquelas figuras que nos escutam em noites desestreladas. Pessoas que confiamos nossos sentimentos menos nobres: ciúme, inveja, raiva, desespero, compaixão. Pede a ela pra ligar pra mim. A saudade tá batendo, tá ruim. Eu tenho um amigo desses. Só que nunca precisei pedir pra ele ligar. Deus me livre, ficar com fama de mala. Prefiro a de ostra.

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Posted in gaveta on julho 29, 2008 by andregodoi

Assim, sem assunto mesmo, resolvi dia desses ligar para o meu pai, Seu Cássio. A gente raramente (lê-se nunca) se fala. Alô, pai? Silêncio. Oi filho, sua mãe não está. Eu sei, queria falar com você mesmo. Silêncio. Falamos por alguns minutos. Não muitos, mas cirúrgicos. Minutos precisos sobre família, jazz e a diferença entre solidão e solitude. E, sozinhos, desligamos satisfeitos. Silêncio.

Just a perfect day

Posted in gaveta on julho 13, 2008 by andregodoi

Azul. Silêncio. Comprei bolachas recheadas de jazz e sentimental mood. Duke and Coltrane fazem a agulha do meu toca-discos gemer, como quem goza e depois chora. Dor ou prazer? Diferença faz alguma, Mestre Yoda. No fundo, estamos sempre abarrotados de motivos pra sorrir e lamentar em domingos perfeitos. Irritantemente exatos, ensolarados e descompromissados. Sem pressa. Morte lenta. Fim do Lado B. Gosto de ouvir por alguns instantes o ruído repetitivo dos finais dos discos de vinil. Sádica mania. Ben Webster e seu sax tenor chorão. Blue Note Rules. Ainda tenho esperança de ouvir o telefone tocar com alguma notícia triste. Ou quem sabe um trabalho urgente, sem prazo, pra amanhã. Preciso desligar. Tô com um pouco de pressa. Preciso acabar com este domingo de uma vez. Quem sabe assistir ao pôr do sol na praça tomando chimarrão e ouvindo aquele violãozinho legião-urbânico dos meninos. Quem sabe um cinema mais tarde? Uma pizza, meia marguerita, meia boca? Três DVDs da seção lançamento. Devolução em 24h. Até lá o domingo já era. Quiçá são e salvo.

Ela levou meu coração

Posted in gaveta on julho 7, 2008 by andregodoi

Clic, clic, clic. Abria e fechava a tampa do baton. Olhava para algum lugar que não era aquele para onde os olhos miravam. Linda: a luz refletida das suas pernas. Ela vestiu o vestido preto e partiu suave, de luto. Ainda voltou para buscar a luminária em forma de coração. Ficou escuro. Tum-tum, tum-tum. tum-tum.