Nós vamos invadir a sua praia

Devaste a mata nativa, asfalte tudo, construa casas milionárias, cerque de seguranças e o resultado de tamanha ignorância é: Laranjeiras. Um condomínio de praia mega-hype vizinho da mega-hippie Praia do Sono. Uma maravilha. As crianças podem brincar soltas (do lado de dentro das grades, óbvio), velhos podem jogar golf sem a Mata Atlântica para atrapalhar as tacadas e as madames podem levar todos os seus empregados, desde que usem uniforme. Eles erraram só em um pequeno detalhe: pra chegar na Praia do Sono, só passando por Laranjeiras. Ha ha ha. Que ironia. Fico imaginando a ripongada vendendo tacos de golf de durepoxi para os tiozões e cangas tie-die do Bob Marley para as tiazonas. Seria a glória. Mas, claro, eles deram um jeito de isolar os micróbios. A solução é tosca mas funciona. Vou tentar descrever a odisséia (sim, eu era um dos ripongas). A primeira parada é na famosa e temida Polícia de Paraty. Com fuzis a tiracolo, eles revistam o seu carro inteiro a procura de algum motivo para te extorquir. Se conseguir passar ileso, siga em frente. Pegue a estrada para Trindade e na primeira bifurcação sem qualquer sinaização, use a sua intuição e vire à esquerda. Chegando no primeiro vilarejo miserável sem acesso à praia é só  abandonar o carro num terreno e seguir com a bagagem para o ponto da Kombi. Essa é a melhor parte. Para atravessar o condomínio, os ricos compraram umas Kombis velhas que você é obrigado a entrar se quiser chegar até o barco. Bizarro. Kombis apinhadas de mochilas, barracas, miojos, maconhas, violões e dreadlocks fazendo um tour agradabilíssimo pelo condomínio. Show de horror. Chegando no ponto do barco, vários seguranças aguardam sorridentes a sua chegada. Você é obrigado a esperar o barco em um espaço micro, sem banheiros, sem cadeiras e sem água. Uma corrente determina onde fica a fronteira. Enquanto você espera o barco sentado no chão, vários condôminos passam tentando ignorar o espetáculo. Não aguentei e pedi uma carona no carrinho de golf de um nobre senhor que se dirigia ao seu helicóptero (tinham três parados bem ao lado do campo de concentração). Quase fui linchado. Os seguranças, caiçaras que num passado próximo eram donos daquelas terras, prontamente defenderam o patrãozinho indefeso. Para minha surpresa, até os ripongas ficaram contra mim. -Pô, relaxa, pára de reclamar. A Kombi é de graça.

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6 Respostas to “Nós vamos invadir a sua praia”

  1. O mundo é surreal, bro. E tente se levantar contra ele. Até os “iluminados” te criticam. Você tem que o aceitar como ele é, e foda-se a lógica, qualquer que seja ela. Com certeza entre os bacanas estão os prefeitos, vereadores etc do sistema. Ou seja, NUNCA vai mudar. O que me deixa mais puto são décadas de extorsão policial naquele ponto, diversos amigos assaltados pelos meganhas, muitas matérias sobre o assunto, e nada foi feito. Costas quentes? O jeito, amigão, é criar um condomínio hedonista numa praia ainda deserta. Topas? Começamos amanhã.

    besos

  2. Queria esclarecer outro ponto. Não sou contra os condomínios milionários e resorts em geral. Pelo contrário, sou totalmente a favor. Deixa eles lá trancados. Não faço a menor questão de conviver com pessoas que se acham superiores por causa de uns trocados a mais na carteira. O que me deixa puto são os estratagemas nazistas para impedir o acesso das pessoas às praias. Palhaçada. Em tempo, Nico, eu topo a praia hedonista. E Salve Aristipo de Cirene!!

  3. mas, o mais bizarro é se vc parar e pensar q os moradores do sono ,q já estão lá há muito mais tempo, ficam submissos a essas regras q eles ,os recem chegados, estipularam… regras essas q ñ devem acrescentar nada a vida deles, pelo contrário,talvez…deve ser de indignar…

    Pira, visita meu blog… http://outrocasulo.blogspot.com

    bjs

  4. Tem que comprar uma praia antes, Pira. Depois a gente faz o que quiser com ela… ehhehe

    E deixa o povo rico frustrado ir de helicóptero…

  5. Fala, André ! Aqui é o Netão amigo do Pedrinho de Pira.
    Pois é, meu velho. Já passei por essa kombi. É muito estranha a sensação que rola.
    Porém ao chegar no destino, a temporada riponga me fez esquecer do mundo civilizado !
    abrs

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